A agência espacial norte-americana NASA alcançou um marco crítico na montagem do foguete Space Launch System (SLS) destinado à missão Artemis III ao finalizar a instalação dos quatro motores principais RS-25 no estágio central de propulsão. O estágio, construído nas instalações de Michoud, em Nova Orleans, representa o coração do veículo que enviará a próxima tripulação humana para pouso nas proximidades do polo sul lunar. Cada um dos motores RS-25 que impulsionará o foguete lunar passou por extensos testes de ignição estática no Centro Espacial Stennis, no Mississippi, comprovando a robustez dos componentes de turbo-bombas sob condições extremas de pressão e vibração mecânica.
Cada um dos quatro motores RS-25, originalmente adaptados do programa dos ônibus espaciais e modernizados com novos controladores digitais de voo, foi acoplado à seção de cauda do tanque de hidrogênio e oxigênio líquidos. O conjunto é capaz de gerar mais de 2 milhões de libras de empuxo durante a subida atmosférica inicial, trabalhando em conjunto com dois propulsores laterais de combustível sólido de cinco segmentos. O estágio central do SLS, com mais de 65 metros de altura e capacidade para armazenar centenas de milhares de galões de propelentes criogênicos, representa a maior estrutura cilíndrica de alumínio soldado por fricção já produzida na história da indústria aeroespacial.
Em paralelo às comemorações do programa lunar ocidental, a comunidade astronômica internacional emitiu alertas sobre a reentrada descontrolada na atmosfera terrestre do estágio superior do foguete chinês Longa Marcha 6C. Radares militares de rastreamento orbital identificaram a fragmentação do corpo de foguete de múltiplas toneladas após o cumprimento de sua missão de inserção de satélites em órbita baixa. Em contraste com a reutilização planejada de naves de última geração, o estágio do SLS é descartado no oceano após a queima, enquanto o foguete chinês desceu em uma órbita decrescente caótica que cruzou rotas aéreas comerciais sem comunicação prévia de telemetria.
A coincidência dos dois acontecimentos renova debates diplomáticos nos comitês das Nações Unidas sobre normas de sustentabilidade espacial e responsabilização civil por detritos orbitais. Enquanto a NASA exige de seus fornecedores módulos de desorbitamento ativo em prazos de até cinco anos, o avanço célere do programa espacial chinês ainda registra descartes orbitais em trajetórias aleatórias. Astrônomos e empresas de telecomunicações que operam megaconstelações de satélites em órbita terrestre baixa alertam que a multiplicação de carcaças descartadas sem propulsão própria aumenta exponencialmente a probabilidade de colisões em cadeia de detritos espaciais.
O estágio central do SLS passará agora por testes estáticos de integração elétrica e testes de pressão hidráulica antes de ser transportado por barcaça até o Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O cronograma oficial de lançamento da Artemis III segue estimado para a virada de 2026 para 2027. A NASA prepara agora o navio Pegasus para transportar o estágio completo até a Flórida, onde ele será erguido verticalmente no Edifício de Montagem de Veículos (VAB) e integrado aos propulsores sólidos e à espaçonave Orion nos próximos meses.